quarta-feira, 18 de julho de 2012

"PORTEIRO DE PUTEIRO".

Não havia no povoado pior emprego do que 'porteiro da zona'.

Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?

O  fato  é  que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.

Um dia, entrou como gerente do puteiro um jovem cheio de idéias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.

Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.

Ao porteiro disse:

-  A  partir  de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.

-  Eu  adoraria  fazer  isso,  senhor,  balbuciou  - Mas eu não sei ler nem escrever.

-  Ah!  Quanto  eu  sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.

-  Mas  senhor,  não  pode  me  despedir,  eu  trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.

-  Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma  boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Dito  isso,  deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse Que fazer?

Lembrou  que  no  prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.

Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.

Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.

Usaria  o  dinheiro  da  indenização  para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como  o povoado não tinha casa de ferragens deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim fez.

No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

- Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.

- Sim, acabo de compra-lo, mas eu preciso dele para trabalhar, já que...

- Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.

- Se é assim, está bem.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?

-  Não,  eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem, de mula.

- Façamos um trato - disse o vizinho.

Eu  pagarei  os  dias  de ida e volta, mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias. Aceitou.

Voltou a montar na sua mula e viajou.

No seu regresso, outro vizinho o  esperava na porta de sua casa.


- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.

Eu  necessito  de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de  viagem,   mais  um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.

Que lhe parece?

O  ex-porteiro  abriu  sua  caixa  de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate,  uma  chave  de  fenda,  um  martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora.  E  nosso  amigo guardou as palavras que escutara: 'não disponho de tempo para viajar para fazer compras'.

Se  isto  fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.

Na  viagem  seguinte,  arriscou  um  pouco  mais de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as que já havia  vendido.

De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.

A notícia começou a  se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam  encomendas.

Agora,  como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes.

Com  o  tempo,  alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois,   comprou  uma  vitrine  e  um  balcão  e  transformou  o galpão na primeira  loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele.

Já  não  viajava  os  fabricantes  lhe  enviavam os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.

Um  dia ele se lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.

E  logo,  por  que  não,  as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras,etc ...

E após foram os pregos e os parafusos...

Em poucos anos, ele se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.

Nela, além de ler e escrever,  as crianças aprenderiam algum ofício.

No  dia  da  inauguração  da  escola,  o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse:

-  É  com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de  colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.

-  A  honra  seria  minha,  disse  o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou  analfabeto.

-  O  Senhor?  Disse  incrédulo  o prefeito. O senhor construiu um  império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado.  Eu pergunto:

- O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?

- Isso eu posso responder, disse o homem com toda a calma: - Se eu soubesse ler e escrever...

Ainda seria o PORTEIRO DO PUTEIRO!


Geralmente as mudanças são vistas como adversidades.

As adversidades podem ser bênçãos.


                As crises estão cheias de oportunidades.


Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.


                     Lembre-se da sabedoria da água:

      'A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna'.


  Que a sua vida seja cheia de vitórias, não importa se são grandes ou pequenas, o importante é comemorar cada uma delas.


Quando você quiser saber o seu valor, procure pessoas capazes de entender seus medos e fracassos e,

                Acima de tudo, reconhecer suas virtudes.

Essa história é verídica, e refere-se a um grande industrial chamado...

                          Valentin Tramontina,

Fundador das Indústrias Tramontina, que hoje tem 10 fábricas, 5.500 empregados, produz 24 milhões de unidades variadas por mês e exporta com
marca própria para mais de 120 países – é a única empresa genuinamente brasileira nessa condição. A cidadezinha citada é Carlos Barbosa, e fica no
interior do Rio Grande do Sul.
 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

SAUDADES DA VIDA MILITAR

Lembro-me de 1973 e da minha apresentação no 2.º BG (era assim que era conhecido), para a prestação compulsória do serviço militar. Eu era um estudante de classe média e não queria de jeito nenhum servir. Mas, contra ordens não existem argumentos e lá fui eu servir.

Lembro-me da minha entrada naquele prédio bonito, imponente e antigo e a frase que “encimava” a sua entrada: “Por aqui passaram os melhores soldados do Brasil!”. Mas, não deu tempo nem de pensar no que havia acabado de ler.

Chegando lá, eu e os demais recrutas fomos saudados à maneira militar: com gritos, tapas e uma quantidade de palavrões significativa, havendo certas palavras que eu sequer conhecia! 

Após isso, fomos enviados para a barbearia, onde as longas madeixas foram deixadas e saíamos, de maneira indistinta, com aquele cabelo curto e cheio de falhas.

Que diferença de vida. Não é preciso dizer que odiei e queria matar aquele bando que nos chefiavam.

As primeiras semanas foram terríveis, com aulas de educação física, "ralos" e instruções teóricas, fora a já conhecida "pressão militar". Mas, passadas aquelas semanas nós éramos novos homens, existia um ambiente de camaradagem e percebíamos que ali não havia distinção de classe, cor ou credo. Todos eram tratados da mesma maneira e, o mais importante: havíamos deixado de ser meninos para nos tornarmos homens.

Aquele quartel era uma tropa de elite e, por isso, éramos mais cobrados do que os soldados regulares. E, dá-lhe ordem unida e exercícios com armas, que deviam ser totalmente sincronizados.

Em plena ditadura, éramos responsáveis pela guarda do quartel general do atual Comando Militar Leste, da Auditoria Militar e das residências dos generais comandantes. Ficávamos tensos, com medo de ataques e quando éramos substituídos em nossos turnos aproveitávamos para agradecer a Deus. Não é fácil para um moleque de 18 anos ficar por duas horas num local ermo, principalmente à noite, passível de um ataque.

Lembro-me também dos torneios esportivos e militares e o empenho de todos em vencê-los. Não era fácil. E o que falar dos acampamentos e dos exercícios com gás lacrimogêneo? Verdadeiramente, éramos treinados para não sentir dor, superar as adversidades e cumprir nossa missão.

Mas, o que realmente gostávamos era dos desfiles militares, pois nos sobressaíamos, não apenas pela farda diferente cheia de detalhes brancos, mas, principalmente, pela precisão de nossa marcha e nossas manobras.

Não havia quem deixasse de nos aplaudir e o corpo arrepiava todo. E, assim seguiu a vida até o mês de novembro quando eu dei baixa. Até eu que nunca quis seguir a carreira militar, chorei junto com os meus amigos, por aqueles momentos mágicos por quais havíamos passado.

Hoje, passados 40 anos daqueles tempos, nenhum contato tenho com aqueles meus amigos, a não ser através do site do nosso BG, onde percebo que todos trabalham, todos tem família e são homens de respeito.

Poderia dizer que aquela inscrição na entrada que dizia que por ali passaram os melhores soldados do Brasil, estava incompleta. Por ali passaram também os melhores homens!

Mas, hoje, além das boas recordações, o que mais me entristece é que o BG foi extinto e quando passo em frente à antiga sede, lá no Parque Dom Pedro, tenho vontade de chorar, pois o prédio está abandonado!

Mas, seguramente, independente de tudo, o Segundo Batalhão de Guardas continua em nossos corações. A guarda morre, mas não se rende!

Romeo Scommegna é advogado, economista e professor universitário.

E-mail: romeoscommegna@yahoo.com.br


EU LÁ INCORPOREI EM 1970,E ESTA MENSAGEM TAMBÉM  ME DIZ RESPEITO