Lembro-me de 1973 e da minha apresentação no 2.º BG (era assim que era conhecido), para a prestação compulsória do serviço militar. Eu era um estudante de classe média e não queria de jeito nenhum servir. Mas, contra ordens não existem argumentos e lá fui eu servir.
Lembro-me da minha entrada naquele prédio bonito, imponente e antigo e a frase que “encimava” a sua entrada: “Por aqui passaram os melhores soldados do Brasil!”. Mas, não deu tempo nem de pensar no que havia acabado de ler.
Chegando lá, eu e os demais recrutas fomos saudados à maneira militar: com gritos, tapas e uma quantidade de palavrões significativa, havendo certas palavras que eu sequer conhecia!
Após isso, fomos enviados para a barbearia, onde as longas madeixas foram deixadas e saíamos, de maneira indistinta, com aquele cabelo curto e cheio de falhas.
Que diferença de vida. Não é preciso dizer que odiei e queria matar aquele bando que nos chefiavam.
As primeiras semanas foram terríveis, com aulas de educação física, "ralos" e instruções teóricas, fora a já conhecida "pressão militar". Mas, passadas aquelas semanas nós éramos novos homens, existia um ambiente de camaradagem e percebíamos que ali não havia distinção de classe, cor ou credo. Todos eram tratados da mesma maneira e, o mais importante: havíamos deixado de ser meninos para nos tornarmos homens.
Aquele quartel era uma tropa de elite e, por isso, éramos mais cobrados do que os soldados regulares. E, dá-lhe ordem unida e exercícios com armas, que deviam ser totalmente sincronizados.
Em plena ditadura, éramos responsáveis pela guarda do quartel general do atual Comando Militar Leste, da Auditoria Militar e das residências dos generais comandantes. Ficávamos tensos, com medo de ataques e quando éramos substituídos em nossos turnos aproveitávamos para agradecer a Deus. Não é fácil para um moleque de 18 anos ficar por duas horas num local ermo, principalmente à noite, passível de um ataque.
Lembro-me também dos torneios esportivos e militares e o empenho de todos em vencê-los. Não era fácil. E o que falar dos acampamentos e dos exercícios com gás lacrimogêneo? Verdadeiramente, éramos treinados para não sentir dor, superar as adversidades e cumprir nossa missão.
Mas, o que realmente gostávamos era dos desfiles militares, pois nos sobressaíamos, não apenas pela farda diferente cheia de detalhes brancos, mas, principalmente, pela precisão de nossa marcha e nossas manobras.
Não havia quem deixasse de nos aplaudir e o corpo arrepiava todo. E, assim seguiu a vida até o mês de novembro quando eu dei baixa. Até eu que nunca quis seguir a carreira militar, chorei junto com os meus amigos, por aqueles momentos mágicos por quais havíamos passado.
Hoje, passados 40 anos daqueles tempos, nenhum contato tenho com aqueles meus amigos, a não ser através do site do nosso BG, onde percebo que todos trabalham, todos tem família e são homens de respeito.
Poderia dizer que aquela inscrição na entrada que dizia que por ali passaram os melhores soldados do Brasil, estava incompleta. Por ali passaram também os melhores homens!
Mas, hoje, além das boas recordações, o que mais me entristece é que o BG foi extinto e quando passo em frente à antiga sede, lá no Parque Dom Pedro, tenho vontade de chorar, pois o prédio está abandonado!
Mas, seguramente, independente de tudo, o Segundo Batalhão de Guardas continua em nossos corações. A guarda morre, mas não se rende!
Romeo Scommegna é advogado, economista e professor universitário.
E-mail: romeoscommegna@yahoo.com.br
EU LÁ INCORPOREI EM 1970,E ESTA MENSAGEM TAMBÉM ME DIZ RESPEITO
Lembro-me da minha entrada naquele prédio bonito, imponente e antigo e a frase que “encimava” a sua entrada: “Por aqui passaram os melhores soldados do Brasil!”. Mas, não deu tempo nem de pensar no que havia acabado de ler.
Chegando lá, eu e os demais recrutas fomos saudados à maneira militar: com gritos, tapas e uma quantidade de palavrões significativa, havendo certas palavras que eu sequer conhecia!
Após isso, fomos enviados para a barbearia, onde as longas madeixas foram deixadas e saíamos, de maneira indistinta, com aquele cabelo curto e cheio de falhas.
Que diferença de vida. Não é preciso dizer que odiei e queria matar aquele bando que nos chefiavam.
As primeiras semanas foram terríveis, com aulas de educação física, "ralos" e instruções teóricas, fora a já conhecida "pressão militar". Mas, passadas aquelas semanas nós éramos novos homens, existia um ambiente de camaradagem e percebíamos que ali não havia distinção de classe, cor ou credo. Todos eram tratados da mesma maneira e, o mais importante: havíamos deixado de ser meninos para nos tornarmos homens.
Aquele quartel era uma tropa de elite e, por isso, éramos mais cobrados do que os soldados regulares. E, dá-lhe ordem unida e exercícios com armas, que deviam ser totalmente sincronizados.
Em plena ditadura, éramos responsáveis pela guarda do quartel general do atual Comando Militar Leste, da Auditoria Militar e das residências dos generais comandantes. Ficávamos tensos, com medo de ataques e quando éramos substituídos em nossos turnos aproveitávamos para agradecer a Deus. Não é fácil para um moleque de 18 anos ficar por duas horas num local ermo, principalmente à noite, passível de um ataque.
Lembro-me também dos torneios esportivos e militares e o empenho de todos em vencê-los. Não era fácil. E o que falar dos acampamentos e dos exercícios com gás lacrimogêneo? Verdadeiramente, éramos treinados para não sentir dor, superar as adversidades e cumprir nossa missão.
Mas, o que realmente gostávamos era dos desfiles militares, pois nos sobressaíamos, não apenas pela farda diferente cheia de detalhes brancos, mas, principalmente, pela precisão de nossa marcha e nossas manobras.
Não havia quem deixasse de nos aplaudir e o corpo arrepiava todo. E, assim seguiu a vida até o mês de novembro quando eu dei baixa. Até eu que nunca quis seguir a carreira militar, chorei junto com os meus amigos, por aqueles momentos mágicos por quais havíamos passado.
Hoje, passados 40 anos daqueles tempos, nenhum contato tenho com aqueles meus amigos, a não ser através do site do nosso BG, onde percebo que todos trabalham, todos tem família e são homens de respeito.
Poderia dizer que aquela inscrição na entrada que dizia que por ali passaram os melhores soldados do Brasil, estava incompleta. Por ali passaram também os melhores homens!
Mas, hoje, além das boas recordações, o que mais me entristece é que o BG foi extinto e quando passo em frente à antiga sede, lá no Parque Dom Pedro, tenho vontade de chorar, pois o prédio está abandonado!
Mas, seguramente, independente de tudo, o Segundo Batalhão de Guardas continua em nossos corações. A guarda morre, mas não se rende!
Romeo Scommegna é advogado, economista e professor universitário.
E-mail: romeoscommegna@yahoo.com.br
EU LÁ INCORPOREI EM 1970,E ESTA MENSAGEM TAMBÉM ME DIZ RESPEITO

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