O TEMPO SOMOS NÓS
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(Marcelo Rates Quaranta)
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Certo dia você me perguntou: Meu velho, há quanto estamos juntos?
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Minha eterna menina... Não olhe para o relógio como sendo a morada do tempo e nem para o calendário como sendo o seu senhor absoluto. Olhe para mim, Olhe pra você. Olhe para nós!
Olhe para todas as transformações que passamos juntos, nessas metamorfoses da vida! Olhe para os nossos cabelos brancos, nossas rugas, nossas mãos enrugadas, e veja que nos sulcos talhados em nossa pele estão as verdadeiras marcas que registram, como riscos, o nosso tempo nos calendários vivos que somos nós.
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Não somos velhos e nem novos. Nós somos o próprio tempo desde o sua gênesis à zênite, viajando do apogeu ao crepúsculo onde todo o tempo invariavelmente se encerra.
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Sei que nunca fomos e jamais seremos senhores do tempo, porque não cabe a nós determiná-lo, mas se soubermos aproveitar o tempo que ainda nos resta, seremos senhores da nossa felicidade enquanto tivermos tempo.
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O que importa não é há quanto tempo estamos juntos, pois tempos idos não voltam e apenas nos deixam as boas lembranças como presentes. Melhor que contar o tempo é contar a nossa história, sem defini-la como “época” ou “naquele tempo”, pois os segundos, minutos, dias, semanas, meses e anos se sucedem, fazendo com que o passado seja apenas a forja do presente fundido em nós. Então ainda estamos presos no tempo o tempo todo, e dele não nos dissociamos. Nós fazemos parte do tempo.
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O que de verdade interessa é que quando estiver acabando o meu tempo, ou já não houver mais tempo, quero que ainda tenha pelo menos algum pouco tempo de olhar pra você e dizer: Que tempo bom esse que estivemos juntos! E que o meu crepúsculo seja lembrando como um doce pôr-de sol, que ficará em tua lembrança como mais uma marca, dessa vez na forma de um último brilho a se apagar com o tempo.
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Depois disso você ainda insiste e me pergunta: Há quanto tempo estamos juntos?
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Isso não importa, minha linda jovem, mas eu te respondo com um verso carinhoso, como um brinde em retribuição por todo esse tempo:
“Meu amor, há quanto tempo? O tempo todo, tudo e tanto, que ainda que possa causar espanto, não devemos medir em tempo, e sim em sorrisos e prantos, em silêncio profundo ou canto. O que conta e dá alento, é que seja qual for o tempo, pelo quanto há de sentimento, tem sido ele o nosso maior encanto.

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